Quando vi aquele vulto, me deu um calafrio, uma coisa tão má. Largada no sofá, já não tinha vontade de comer, pra que? Engordecer! Chateada com a vida, que me foi grata, que me foi ingrata, que me foi vivida. Porque eu ainda posso ver, o vulto na escada? A sombra do meu amor, que foi e vem, que me persegue e me arranca os cabelos, rasga minha pele, beija minha boca, meus dedos, meus medos. Mas eu não posso mais olhar, porque não posso mais sentir aquele salivar. Mas ainda está, parado na sacada, estanque na cozinha, ouço a voz dele. Nosso verão de correr sutil, de calor forte. Ficamos juntos, um minuto sequer, tocamos os ombros vivemos as lágrimas e rimos as pencas de todas as cores, frutas e texturas. Porque eu nunca pude te tocar do jeito que eu mais sonhei, do jeito doce que minha alma sempre quis, do jeito manso que meus pensamentos sempre pediram? Te toquei com o fogo santo que ainda sobe minhas veias, que fecha meus poros e abre os trabalhos para a porta de entrada, onde nós fica...
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